sábado, 12 de novembro de 2011

Filho, você me leva ? !


Brasilino Alves de Oliveira Neto

O filho, tenra criança, fazia perguntas e ele respondia.

Repetia a pergunta e ele amavelmente explicava.

Foram centenas delas e tantas pacientes respostas.

Passaram-se os anos, aquela criança, hoje jovem continua a perguntar.

E o pai cuidadosamente a explicar.

(Tudo é fácil quando a relação se dá de pai para filho !)

Seguiu-se o andamento célere do tempo.

Hoje o filho amadurecido o pai envelhecido,

E sem muita mobilidade.

O Pai pediu ao filho:

- Pode me levar até a praça hoje ? há tempo não vou lá !

- Mas o que você (deveria ser senhor) vai fazer lá ?

- Rever alguns amigos que há muito não encontro.

- Mas se você quiser rever sempre seus amigos deverei levá-lo sempre ? !

- E eu não tenho tempo a perder !

- Está bem, não precisa me levar, vou só !

- Que vai só, não consegue nem andar, vai demorar um ano pra chegar, e ai seus amigos já se foram.

- Não tem problema já não quero mais vê-los.  

- Quero somente relembrar o tempo que com você ali passei, passeei e respondia às perguntas que você me fazia, e nas respostas estava o alento de meu coração e alma, pois o amava tanto quanto hoje.  

- E por certo estes sentimentos ali ainda estão e me farão entender que o tempo que você não tem hoje ‘a perder comigo’ foram os que eu ganhei com você. 

Isto me será a compensação e me valerá ter vivido, ter sido seu Pai. 

Filho não perca, vá sim ganhar seu tempo.

Vai filho e que Deus te abençoe !  Amo-te ! 
Academia Caçapavense de Letras

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